Cracônis

As crônicas de algumas vidas sedentárias

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Vida é…

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Era de manhã. Lá pelas sete e meia da manhã. E tava todo mundo no ônibus, indo pra cidade. Típico dia de semana, em que todo o mundo, ao mesmo tempo, resolve pegar o mesmo ônibus. Por sorte consegui um lugarzinho sentado. Não era janelinha e nem a paisagem era boa, muito menos me servirão comida; mas qualquer toco de árvore, se possível encontrar ali, seria melhor do que ter que ficar, além de tudo, em pé.
O tempo passou. E passou. E passou…
Dez, quize, vinte, trinta, quarenta minutos dentro do ônibus e enfim!, Parque Dom Pedro. Agora era só mais um ônibus pra se chegar no trabalho!
Bom… fila. E depois mais fila. Subir no ônibus. Passar a catraca. Sentar não muito longe da porta da saida, porquê se não depois pra ir da frente do ônibus até o fundo é mais tempo do que pra ir de casa para o trabalho. Enfim… ritual de praxe
Finalmente, o motorista resolve sair.
A cobradora agora abre o jornal agora e começa a fazer as palavras cruzadas e ler as tirinhas.
O figuraça atrás resolve que já é hora de colocar o celular pra tocar aquela música que só ele gosta. Se vale daquele princípio de tornar as desgraças ainda mais desgraçadas para ver se alivia a dele.
Começa o trânsito. Tudo parado em todo lugar. Os ônibus que cruzam essa avenida param na frente dos que seguem. Aí param os de trás (nas duas ruas).
E assim fica.
Dez, quinze, vinte, trinta minutos até que de pouquinho em pouquinho eu consigo descer no meu ponto.
“Tô atrasado…” é o que eu sempre penso quando isso acontece. “Vô tomá outra carcada”
Aí eu dou uma acelerada no passo. Passo no meio dos carros fazem fila lá pra trás da rua pra atravessar a calçada.
Ando mais um pouquinho.
Pego o elevador.
Finalmente! estou no trabalho. Dez minutinhos atrasado, mas é desculpável, eu cheguei!
Vejo meu chefe passando lá no fundo e vejo que muda o caminho pra vir aqui falar comigo.
“Eduardo!, aonde é que você tava? Tá todo mundo aqui querendo tomar café pra começar o dia e você sumiu. Faz o seguinte. Faz logo o café e passa na minha sala pra pegar dinheiro pra sair: Preciso que você vá comprar dois maços de cigarro. Um Marlboro vermelho pra mim e um Carlton branco pro Élcio.”

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Written by Fernanda Rodrigues

9 de março de 2010 at 10:55 AM

Pé Direito

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Acordei cedo demais, como sempre, sonolenta e cambaleante. Bati a canela da perna na ponta da cama. Porra! Talvez porque esqueci de levantar com o pé direito. Dizem que dá sorte, mas fico me perguntando se acredito nessas coisas ou só aceito porque todo mundo faz. Bom, àquela hora da manhã isso não importava.

Deveria ter ficado na cama, assim dormiria gostoso, mas perderia a aula na faculdade. Justo hoje que tinha aquela aula chata de Política. Não podia faltar, estou quase pegando DP nesta matéria.  Acorda, Jeni! Vamos lá.

Tomei meu café amargo, molhei-me no chuveiro e vesti uma roupa que peguei sem olhar. Livros e mochila permaneciam intocados, no canto do quarto. Nunca fui a melhor aluna da classe e sempre passei na média. Tudo bem para mim. Para que ser inteligente, tirar as maiores notas e depois se ferrar? Gente inteligente só serve para ajudar pessoas burras como eu. Sobre isso, uma amiga disse que sou preconceituosa. Eu? Magina. Só encaro os fatos.

E além do mais, nem preciso ser inteligente, meus pais são ricos  e nem percebem que não sou a filhinha estudiosa e aplicada.

Quando penso nisso, lembro daquele menino da classe, magro, de óculos, cabelo penteado de lado. Ele estuda o tempo inteiro e ninguém o valoriza. Ninguém olha para ele. Não fui feita para não ser vista. Quero brilhar, mesmo quase morta como estava pela manhã.

Além do sono e do desânimo, ainda peguei ônibus lotado. Normal até certo ponto, já que cheguei atrasada e o professor gato/coroa de Política já havia começado a aula.

Como ele quer que aprendamos, lindo daquele jeito? É apreciar sua gostosura ou ouvir sobre sistemas políticos, estratégias políticas e o diabo a quatro político. Não dá! A solução era desistir mais uma vez da aula. Pensando bem, uma DP com aquele professor não uma má ideia, já que poderia admirá-lo por mais um semestre.

Sai da sala. Encontrei o lindo do quinto semestre e lembrei que tinha esperanças daquele ser um dia diferente, mesmo tendo começado com o pé esquerdo e ônibus lotado. O lindo poderia me olhar, não? Ah, estou cansada dessa vida de sonhos e ilusões. Chega!

Fui para casa. Passei a tarde pensando no que poderia mudar para consolar aquela insatisfação. A Pamela me ligou, aquela menina que se declara minha melhor amiga, dizendo que preciso crescer, amadurecer. Ah, o que importa? Sou loira, gostosa, bonita e  burra. Os coroas ricos não querem inteligência e eu quero o dinheiro deles. Pronto, tudo resolvido.

Vou dormir sentindo-me mais fútil do que ontem. Quem sabe é esse mesmo o meu destino: ser fútil.

Decidi criar um blog para desabafar e ter uma opinião de quem não me conhece, mas não deu certo. Desisti antes da primeira postagem. Dei-me conta que este foi mais um dia comum que achei que seria diferente. Talvez nunca mude mesmo, só preciso me acostumar, nada de reclamação. Gosto de ser assim, e daí?

Espero que amanhã eu acorde com o pé direito. Pode ser que tudo dê certo…

Written by isaquecriscuolo

21 de novembro de 2009 at 12:20 PM

Publicado em Crônicas

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