Cracônis

As crônicas de algumas vidas sedentárias

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Tensão do Vestibular

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É engraçado analisar as pessoas quando vou fazer uma prova de vestibular. Sempre escolho um vestido folgado e uma rasteira, pego uma garrafa de água, meu documento de identidade e duas canetas pretas. Apesar de tudo e de realmente sentir-me preparada para passar apenas quatro horas em uma sala, grande parte das pessoas que vejo quando chego ao local da realização da prova estão quase prontas para uma maratona de quarenta dias e quarenta noites no deserto. São sacolas cheias de comida, duas garrafas de água, tênis para esportes, casacos para caso faça frio nesse bendito sol de trinta graus de Brasília e coisas absurdas que só vendo para acreditar.

Tudo bem, a partir desse momento já estou sentindo-me completamente despreparada perto da maioria. Até o vestibulando com cara de mais perdido nesse momento me parece o mais inteligente e estudioso, começo a ficar paranóica e a partir de então mesmo aquele pentelho do fundo da sala que estuda comigo, que eu tenho certeza de que não aprendeu porcaria nenhuma, parece saber muito mais. Começa a dar uma angústia, eu já entro em sala com o suor na testa antes de olhar para as outras pessoas. Do meu lado esquerdo um super nerd que provavelmente estuda química por diversão, óculos fundo de garrafa e suéter em pleno verão. Eu sei que é exatamente esse cara que devo temer e nesse instante o pobre coitado já até notou que estou encarando-o com uma expressão assassina e desafiadora. Do outro lado uma garota muito loira, cheia de pulseiras coloridas, mini saia, maquiagem rosa e até o esmalte que ela usava estava me cegando. Fico mais tranqüila, ao menos mais que a patricinha eu deveria saber… Espero!

Então entregam a prova. A primeira coisa é o instrutor colocar medo em todo mundo na sala que nunca fez um vestibular, tudo parece com as instruções de segurança de um avião e me faz apenas ficar mais nervosa do que já estava. Olho para o cartão de resposta que até então parecia simples e tudo começa a soar complexo como um problema matemático e acho que a garota loira do meu lado pensa do mesmo jeito. Está tudo bem, tranqüilizo-me respirando fundo. Começa a prova, respondo toda a parte de língua estrangeira, estou indo bem perto da loira que faz uma expressão de perdida, mas o nerd do lado esquerdo está fazendo um problema gigante de matemática nesse momento. Alguns dos preparados para a excursão no deserto começam a desempacotar chocolates lentamente no fundo da sala, outros misteriosamente pegam um resfriado e seus narizes escorrem. O barulho me irrita, mas passo bem pelas questões de história, geografia, português, artes e filosofia. Na segunda parte pulo tudo que tem números no meio e respondo algumas de biologia. Minha redação fica boa, apesar deu ter a certeza de que sob pressão não ficou tão boa quanto poderia.

Acaba, entrego, saio com o a prova e com um sorriso no rosto. Tenho certeza de que fui bem, até ver o maldito nerd que ficou na minha sala comentar com o amigo igualmente nerd que só não respondeu duas questões. Bem, não adianta se desesperar, agora é o momento de esperar o resultado para saber se passou ou não na prova. Mas apesar de tudo acho que a loirinha que saiu com uma cara de interrogação vai precisar esperar pelo próximo vestibular.

Written by Raila Spindola

14 de dezembro de 2009 at 10:41 AM

Gramática

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Uma coisa que acho engraçada a respeito da língua portuguesa é a forma como as escolas, depois de tantos anos, ainda conseguem ensinar tudo da forma mais difícil possível. Fico revoltada com o fato de ser muito mais importante decorar todas as malditas regrinhas da gramática de que aprender a construir uma frase corretamente. Certo, talvez eu esteja sendo completamente implicando simplesmente por nunca ter conseguido aprender isso direito e, por favor, não me peçam para fazer uma análise gramatical de frase alguma, provavelmente não vai sair muita coisa além do básico.

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Não é me gabando, mas conheço pessoas que sabem todas as regras da gramática e não escrevem um texto coerente, que perdem e muito pras minhas frases e meus textos. O motivo disso é a leitura, não adianta você ter feito curso de coisa alguma se não exercitar, isso só leva a esquecer. As palavras foram feitas para a comunicação, acho completamente dispensável saber classificar palavras se consegue fazer com que as outras pessoas compreendam completamente. As coisas não precisam necessariamente ser de total aceitação gramatical desde que sua mensagem esteja sendo passada.

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Se eu sei escrever textos formais ou complexos? Sim, eu sei, apesar de que poderiam demorar um pouco mais, só não vejo essa necessidade, não em algo com o objetivo de divertir e distrair como crônicas. Espero apenas que quem for acompanhar possa se deliciar um pouco e talvez até rir com o pouco que tenho a dizer, verídico ou não. Sejamos simples, diretos e acima de tudo práticos de agora em diante.

Written by Raila Spindola

27 de novembro de 2009 at 8:45 PM

Publicado em Crônicas