Cracônis

As crônicas de algumas vidas sedentárias

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Blackout

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O dia estava quase terminando quando aconteceu… Por volta das 22hs15, as luzes piscaram várias vezes e apagaram. Eu chegara da faculdade fazia pouco tempo e resolvi descansar, assistindo à TV, antes de entrar para um merecido banho após um dia exaustivo de trabalho e uma prova terrível na universidade. Num primeiro momento, permaneci onde estava, tentando dar conta do que estava acontecendo. No andar inferior de casa, meus familiares começavam a procurar velas (benditas velas!) para saírem daquele breu total. Os minutos se passaram e já que não dava pra fazer nada, juntei-me ao pessoal para saber como foi o dia de cada um. Arrumei a marmita (sim, na era do fastfood, ainda prefiro comida caseira!), jantei qualquer coisa e fui para o quarto.
Alguns minutos depois, as luzes se acenderam. Fui verificar a matéria da próxima prova e ouvir música. Mas o alivio durou pouco tempo: a escuridão voltou. Duas vezes, já eram demais, alguma coisa estava errada. Então, como uma boa estudante de Humanas, louca por comunicação, sintonizei uma emissora de noticias e lá estava: “temos informações que vários estados do Brasil estão às escuras e o Paraguai também!” What hell was happening?, pensei. E o rádio continuou: “motivo do black out, desconhecido; previsão de normalização, desconhecida; podemos ficar algumas horas ou dias sem energia, dependendo do que aconteceu, etc e tal.” Todas as especulações dos momentos de uma crise, migalhas de informações precisas.
Meu vizinho (que também é meu tio) chegou da faculdade e contou que foi obrigado a descer do metrô e caminhar até o local em que pegava o ônibus. A cidade estava um caos: multidões nos pontos, trânsito e escuridão por todo lado.
O cansaço já tomava conta de mim e precisava de um repouso para enfrentar o dia seguinte que ninguém sabia como seria, após tamanha confusão. O banho foi de gato escaldado, quase congelando. Cai na cama, tentei concentrar-se nas demais noticias que chegavam. Lembrei de um amigo que, geralmente, ainda estava na rua àquela hora; mandei uma mensagem de texto; o amigo respondeu que não conseguiria chegar em casa, precisava avisar a mãe, sugeri que mandasse uma mensagem, despedi-me dizendo que se cuidasse. Alguns minutos depois, adormeci, um sono agitado. Quando acordei o blackout fora embora, como se tudo não tivesse passado de um pesadelo…

Written by Evelyn Reis

11 de novembro de 2009 at 10:30 PM

Publicado em Crônicas Paulistanas