Cracônis

As crônicas de algumas vidas sedentárias

Archive for outubro 2009

Compulsão

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A esposa foi de encontro ao seu marido. Viu-o sobre uma pilha de papeis e canetas, escrevendo compulsivamente acerca de suas pesquisas. Ele procurava à meses pelo sentido da existência, e já não dormia, não comia e nem saia. Carinhosamente, aquela requisitou a atenção de seu esposo:

– Vem cá, querido! Precisamos conversar sobre a sua saúde…

Virou-se esse,  maltrapilho, dizendo em gestos brutos e experimentados, num desencadear furioso de encenação dramática:

– Chega! Cansei-me de tudo isso. Quando vier, não traga palavras… venha com algo mortal, como drogas tetravalentes. Faça-me num estado catatônico:  tire meu ar, mostre assim que me ama. Esvazie este corpse cadavre que a beijou! Use-o pelos futuros breves meses, e por fim, deixe-me morrer, diante aos teus olhos verdes de Teresa, e diga-me adeus! E se existe assim, além deste universo, a paralelidade do sonho de Byron, será apenas consumação continua do estado desvirtuado deste  complexo haver. Sim, um pequeno fragmento de poeira na imensidão cosmica é o que sou… culpado, muito culpado por viver das propriedades das quais as criações dos deuses experimentou…  maldito seja fruto em teus lábios. Eva de Javé ou Pandora dos (deuses) gregos, no refinamento da própria essência humana… espalha em meu mundo as tuas pestes, mulher! Que importa?

Ponderou a mulher, então…

– Não sei se importa, mas o médico te recomendou um válium.

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Written by cykantode

30 de outubro de 2009 at 3:41 PM

Publicado em Crônicas

Abertura!

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Olhem só como são as coisas: eu, empacado no trabalho, atrasando todo serviço por preguiça, lá fora caindo o maior temporal e eu escrevendo um post de abertura para um blog sobre crônicas.
Pois é, parece que a o tempo não da uma trégua na terra da garoa. O pior é que a cidade de São Paulo basicamente para em dias de chuva.
Na noite de chuva: “Radial Leste parada”, “Marginal Tiete com ‘x’ quilômetros de congestionamento”, “Metrôs lotados” é… não tem como. Às vezes até daria pra aguentar, mas a chuva vem de súbito, e nos pega desprevinidos: Quem aí tem um guarda-chuva?
Claro, existem pessoas em piores situações: ficar preso num engarrafamento, dentro de um ônibus com algumas centenas de pessoas por metro quadrado definitivamente parece muito pior que ficar trancafiado dentro de um carro dentro do túnel Ayrton Senna. E é claro que no dia seguinte (amanhã, terça-feira) haverá algumas notícias do tipo “Casa desaba no morro ‘y’ e mata ‘z’ pessoas”
Como ficamos, então? Molhados!, obviamente. Por quê? Bom… creio que São Pedro tenha dado o troco pelo São Paulo ter batido no Peixe ontem.
Agora já vou indo que não é porque o Peixe perde que São Paulo pára, afinal, estudantes pegam ônibus lotados debaixo de chuva e sol.

Written by Fernanda Rodrigues

26 de outubro de 2009 at 6:30 PM