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Coisas do Cotidiano
Hoje, quando estava voltando da UFS, aconteceu algo no mínimo cômico.
Duas mulheres pedintes e provavelmente esquizofrênicas estavam paradas em uma lanchonete. Uma delas (uma baixinha, gordinha e morena) foi reconhecida por uma das atendentes do lugar. E foi quando surgiu o comentário.
A atendente dirigiu-se a pedinte e perguntou-lhe: “Sua mãe morreu não foi?”, a pedinte respondeu: “Sim, você conhecia a minha mãe?”
A segunda pedinte (uma mulher alta, branca, cabelos curtos e que lutava com um guarda-chuva) perguntou exaltada: “Sua mãe morreu?!” A mais baixa fez que sim com a cabeça. Então ela disse: “Que Nossa Senhora do Bom Parto dê um bom parto a ela não é?”
Não deu para ver a expressão da mulher que tinha perdido a mãe, nem tampouco a da atendente que atentamente observava a conversa. Já a minha, posso apenas dizer que sai de perto para não rir.
Crônica da Despedida
Era uma quinta-feira e eu estava como de costume fazendo as mesmas coisas que fazia diariamente, ela estava sentada na sala com uma das pernas apoiada no sofá.
- Dói? – Perguntei me aproximando dela.
- Agora não mais. – Ela me respondeu com aparente calma.
Voltei aos meus afazeres, sem muito entusiasmo, queria mesmo era deitar e adormecer, a madrugada já tinha sido tensa.
- Vamos? – Ouvi alguém falar na sala com ela. Ela, então, levantou-se devagar e me olhou.
- Vá! – Eu disse – E me ligue assim que terminar.
Ela concordou e se foi.
Terminei o que tinha de fazer e fui para cama, meu corpo estava pesado, e eu não via a hora de dormir um pouco. Deitei e fechei os olhos, o sono não demorou a chegar.
- Ué! Já chegou? – Eu disse abrindo os olhos. Ela estava parada na porta do quarto, vestia branco e carregava um estranho olhar sereno.
- Na verdade… Estou indo agora. – Ela sorriu.
- Para onde? – Perguntei aproximando-me dela.
- Para longe! – Exclamou e, ainda sorrindo, me envolveu em um terno abraço. – Jamais esqueça o quanto te amo.
- Jamais esquecerei. – As lágrimas rolaram livremente pelo meu rosto.
E então o telefone tocou, acordei com o susto do barulho do aparelho e titubeando fui atender.
- Alô?!
- Ela se foi… – Uma voz chorosa falou comigo.
- Eu sei… – disse calma – Ela veio se despedir de mim. – Desliguei o telefone, sentei no sofá e deixei que as lágrimas corressem por minha face.
Pessoas “esquisitas”
Ontem a noite eu e mais três amigos resolvemos ir até o parque onde estava tendo um projeto cultural, iria tocar Toquinho, infelizmente quando chegamos lá o show estava no fim. Tinha gente de todo tipo, desde crianças à senhores de idade dançando alegremente cada acorde do gênio, de rapazes e moças com alargadores e o corpo coberto de tatuagens e piercings à pessoas recatas e simples, de bêbados que andavam com seus garrafões de vinhos à pessoas que se contentavam com apenas um refrigerante. Enfim um show eclético para pessoas que curtiam boa música.
Em meio a toda aquela badalação um dos meus amigos – Ricardo – observou o lugar e fez uma breve explanação que me deixou pensativa durante algum tempo.
- As pessoas que gostam de MPB são esquisitas! – ele exclamou enquanto apreciavamos Toquinho e suas genialidades.
- Esquisitos são vocês que gostam de pagode. – Charline – uma de nossas acompanhantes – respondeu a ele. Eu e Johny (o quarto componente do nosso seleto grupo de pessoas fardadas) nos entreolhamos e rimos.
- Pior você que curte pagode – Johny reforçou o coro.
Na volta para casa, dessa vez sem Ricardo, fiquei pensando… Em que sentido ele disse que aquelas pessoas eram esquisitas? O fato de curtirem um estilo de música que é diferente dele as fazem esquisitas? Bem, se essa foi a intenção dele… Eu sou esquisita, Johny é esquisito, Charline é esquisita, você leitor pode ser esquisito também, mas isso não nos fazem melhores ou piores que ele, nos fazem apenas “esquisitos”.